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WASHINGTON - Numa
época em que a maioria
das pessoas deseja lança mão de novas tecnologia para
gerar filhos cada vez mais saudáveis, as americanas
Sharon Duchesneau e Candace McCullough usaram a
inseminação artificial para ter dois filhos surdos como
elas. Para gerar Jehanne, de 5 anos, e Gauvin, de 5
meses, o casal homossexual contou com a ajuda de um
amigo da família, também surdo, depois que vários
bancos de esperma se recusaram a colaborar com seus
planos.
A historia do casal, publicada no jornal americano
The Washington Post, já está criando polêmica entre
especialistas em bioética e também entre os próprios
surdos, que questionam o direito das duas mulheres
de optar por ter filhos com uma patologia. "Todos nós
sabemos que crianças surdas podem ter vidas
maravilhosas", disse Alta Charo, professora de Bioética
da Universidade de Wisconsin. Contudo "acho uma
vergonha impormos limites ao potencial de uma criança.
"Eu sou uma pessoas sociável, e é muito dificil, por
exemplo, comonicar-me com meus vizinhos. Gostaria
muito de poder me dirigir a alguém na rua e pedir uma
informação. As pessoas falam que o céu é o limite,
mas ser surdo lhe impede de chegar lá: você não tem
muitas opções" - afirma Nancy Rarus, que é surda de
nascença, mãe de crianças surdas, e trabalha na
Associação Nacional dos Surdos dos Estados Unidos.
"Não consigo entender porque alguém irira querer trazer
ao Mundo uma criança assim", acrescentou.
Mas a própria Nancy reconchece que existrem muito
surdos que querem ter filhos surdos. Desde a década
de 80, crece entre a comunidade americana dos surdos
a teoria de que a surdez não é uma patologia que
precise ser curada, mas sim uma identidade cultural.
As pessoas que compartilham dessa idéia, caso de
Sharon e Candace, se denominam Surdos, com "S"
maiúsculo.
As duas mulheres não encaram a surdez como uma
doença e, por isso, não reconhecem que colocaram
no Mundo duas crianças com um problema de saúde."
Por que não ter crianças surdas? Qual é exatamente
o problema? Para Sharon e Candare, querer ter filhos
surdos não é diferente de querer ter, por exemplo, uma
menina, que terias mais chances de ser discriminada
do que um menino.
(Obrigado J.M.)